Projetos da UFSCar buscam fortalecer agroecologia no estado de São Paulo
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou no fim de 2025 o resultado de edital de fomento à criação e ao fortalecimento de Núcleos de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs). Entre os selecionados, estão três projetos da UFSCar, envolvendo os campi Sorocaba, Araras e São Carlos.
No Campus Sorocaba, foi contemplado o projeto “Formação e extensão agroecológica na região Sorocabana a partir de uma cultura camponesa resiliente: o Espaço de Vivência e Valorização Agroecológica no Assentamento Bela Vista”. Coordenada por Fernando Silveira Franco, docente no Departamento de Ciências Ambientais, a iniciativa visa fortalecer a agroecologia no território sorocabano, promovendo desenvolvimento rural sustentável, soberania alimentar e conservação ambiental. Para isso, atuará no próprio campus — por meio da implantação de unidades demonstrativas de economia solidária —, no território indígena Gwyra Pepó, em assentamentos, em Sistemas Agroflorestais (SAFs) e Áreas de Preservação Permanente (APPs) — por meio de mutirões e atividades de formação. Há também o objetivo de criar uma escola do campo em uma escola do município de Iperó, vizinho a Sorocaba.
Segundo Fernando Franco, as iniciativas, que já existiam, foram bastante prejudicadas por falta de apoio desde 2016, quando houve o último edital deste tipo, em que seu núcleo não foi contemplado. “Por isso a necessidade de retomar as atividades que foram paralisadas”, conclui. O projeto teve início oficialmente em outubro do ano passado, e as atividades passaram a acontecer efetivamente no início deste ano, com a chegada dos recursos.
Outro projeto selecionado, do Campus Araras, cria o Neapo, Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica, visando articular ações integradas de ensino, pesquisa e extensão voltadas à transição agroecológica, à regularização ambiental, à formação de agentes multiplicadores, ao fortalecimento da certificação orgânica e à consolidação de circuitos curtos de comercialização. A líder da iniciativa, Adriana Cavalieri Sais, docente no Departamento de Desenvolvimento Rural, compartilha que o projeto busca enfrentar a baixa capacidade de articulação institucional, técnica e formativa para viabilizar a agroecologia como estratégia de desenvolvimento rural sustentável no Município.
Também foi selecionada uma proposta do Departamento de Ciências Sociais, no Campus São Carlos, liderada pelo docente Joelson Gonçalves de Carvalho. Com o objetivo de promover processos de transição agroecológica e de produção sustentável de alimentos nos territórios da reforma agrária, o projeto prevê a implantação de unidades de referência em agroecologia em quatro assentamentos rurais federais no estado de São Paulo (um em Orlândia, um em Serra Azul e dois em São Carlos) e um curso a distância para formação de agentes populares em agroecologia, abrangendo todos os 136 assentamentos federais implementados no Estado. A primeira aula do curso aconteceu em 6 de junho.
No total, está previsto que as três iniciativas recebam quase R$ 900 mil. O resultado detalhado pode ser conferido no site do CNPq.
