Pesquisas da UFSCar buscam contribuir com qualidade da informação no SUS

Enfermagem e Psicologia: Projetos foram contemplados em chamada do Programa de Pesquisa para o SUS da Fapesp

Aprimorar a comunicação com usuários dos serviços de saúde e entre profissionais de diferentes órgãos de saúde pública, para que possam atuar de forma rápida e integrada na prevenção e no enfrentamento de diversas doenças, é a premissa que une duas pesquisas da UFSCar contempladas em chamada recente do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em conjunto com o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP).

A chamada aprovou 26 propostas, em três eixos, e ambos os projetos da UFSCar contemplados estão no eixo Saúde Digital. Um deles, intitulado “Dashboard VigEp São Carlos: ferramenta digital de monitoramento e acessibilidade dos marcadores sociais de saúde”, é coordenado por Mellina Yamamura Calori, docente no Departamento de Enfermagem (Denf). O segundo, coordenado por Mário Henrique da Mata Martins, do Departamento de Psicologia (DPsi), tem o título “Comunicação de riscos para promoção da vigilância popular em saúde em territórios de vulnerabilidade socioambiental”.

Comunicação de risco
O projeto “Comunicação de riscos para promoção da vigilância popular em saúde em territórios de vulnerabilidade socioambiental” teve o início das suas atividades celebrado em evento na última sexta-feira, 27 de março, em São Bernardo do Campo (SP). Sua proposta é analisar as dinâmicas de comunicação de risco sanitário nos territórios de vulnerabilidade socioambiental do Município, a partir da atuação dos serviços públicos de saúde e de coletivos populares, bem como da interação entre eles, para a promoção da vigilância em saúde.

O foco são as arboviroses, principalmente aquelas transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A escolha por São Bernardo do Campo está relacionadas a surtos de dengue e chikungunya nos últimos anos. A pesquisa envolve, além do Departamento de Psicologia da UFSCar, a Escola de Saúde de São Bernardo do Campo, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, e o Instituto de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo.

A primeira etapa do projeto consiste no mapeamento das estratégias e práticas de comunicação de risco utilizadas pelos serviços de saúde e os coletivos com a população. Em um segundo momento, serão realizadas entrevistas com os grupos, para detalhamento dessas práticas e estratégias. Com isso, serão caracterizados os fluxos e formatos da comunicação, desde as conversas diretas até o uso da comunicação digital.

“A partir dos encontros, queremos debater sobre os instrumentos de comunicação que utilizam, as dificuldades que enfrentam e, principalmente, identificar quais seriam as melhores ferramentas e formas de comunicação dos grupos com a sociedade no que diz respeito à comunicação de risco envolvendo as arboviroses”, especifica o coordenador. Como produtos da pesquisa, haverá a produção de um podcast sobre o tema e a elaboração de um mapa em plataforma digital, de acesso aberto, para localização dos equipamentos de saúde e dos coletivos, bem como das atividades e dos fluxos de comunicação.


Gerenciamento de indicadores epidemiológicos
A dificuldade de acesso ao fluxo de informação e a falta de padronização no que diz respeito aos indicadores de vigilância epidemiológica, mais especificamente os agravos de notificação compulsória (doenças, infecções ou eventos que exigem comunicação obrigatória às autoridades de saúde), foi o que motivou Mellina Yamamura Calori a submeter a proposta à Fapesp.

“A partir do nosso contato com os órgãos municipais de saúde de saúde, identificamos que essas dificuldades impactam diretamente nos indicadores sobre essas doenças e, consequentemente, nas ações de -enfrentamento e prevenção”, explica. A pesquisadora detalha que são mais de 60 as doenças que integram a lista de agravos de notificação compulsória, e que o estudo será iniciado com os indicadores da sífilis em São Carlos. A expectativa é de que, determinado o padrão para o registro do fluxo de informações, ele seja replicado para os demais agravos da lista.
A proposta é elaborar uma interface gráfica digital (dashboard) para o monitoramento de indicadores de saúde do Município, com dados padronizados e de fácil acesso aos órgãos de saúde. Para isso, a equipe do projeto atua na identificação das notificações e na qualidade dos dados da doença (sífilis). A partir deste levantamento, o fluxo de informação será avaliado, a fim de que os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) sejam estabelecidos e, principalmente, devidamente registrados, alimentando o dashboard.
Já em andamento, a pesquisa é desenvolvida em parceria com a Vigilância Epidemiológica de São Carlos, com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRPUSP), Faculdade de Saúde Pública da USP, Universidade Federal de Mato Grosso, e com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP em São Carlos.