Doutoranda da UFSCar pesquisará potencial da IA no enfrentamento da poluição plástica, em estágio na Alemanha
A doutoranda Sandra Letícia Silva dos Santos, do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Monitoramento Ambiental (PPGBMA-So) da UFSCar, Campus Sorocaba, inicia no mês que vem uma nova etapa de sua formação acadêmica: a realização de um doutorado-sanduíche na Alemanha. A oportunidade é fruto direto da participação em um curso internacional sobre inteligência artificial (IA) aplicada à biodiversidade, realizado em 2025 no Centro Alemão para Pesquisa em Biodiversidade Integrativa (iDiv), em Leipzig.
O intercâmbio acadêmico será realizado por meio do Programa Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE, vinculado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Capes) e permitirá que parte da pesquisa da estudante seja desenvolvida ao longo de seis meses junto a pesquisadores do iDiv, uma das instituições de referência mundial em estudos de ecologia e biodiversidade.
A doutoranda integra o Grupo de Pesquisa em Poluição Plástica (GPPP), vinculado ao Departamento de Física, Química e Matemática (DFQM-So) da UFSCar, e investiga fontes de microplásticos em ambientes terrestres, com foco em solos da Amazônia e da Mata Atlântica.
A aproximação com o centro alemão teve início na seleção da pesquisadora para a “Summer School 2025: Deep learning for biodiversity and ecological research”, curso intensivo voltado ao uso de aprendizado de máquina na análise de dados ecológicos complexos. “Eu já conhecia o centro de pesquisa na Alemanha, acompanhava eles há bastante tempo e estava muito interessada nos projetos”, conta. “O centro tem uma linha de pesquisa muito voltada para ecologia experimental. Quando vi a oportunidade de fazer o curso, me inscrevi, e logo tive a ideia de utilizar os modelos computacionais de aprendizagem na identificação e separação de microplásticos em matrizes ambientais mais complexas”, detalha.
A proposta foi avaliada por um comitê internacional e garantiu à pesquisadora auxílio para custear passagens e parte da estadia, além do apoio institucional da UFSCar. “Eu trabalho com solos muito complexos e diferentes entre si. Então, minha proposta foi aprender no iDiv a utilizar essas ferramentas de computação para aplicá-las na minha pesquisa. Meu orientador, Walter Waldman, me incentivou muito e ajudou a buscar recursos”, explica a pesquisadora.
No curso, realizado no iDiv, a pesquisadora teve aulas sobre habilidades técnicas em deep learning, área da IA que busca levar computadores a aprenderem padrões complexos a partir de grandes volumes de dados, de forma semelhante à maneira como o cérebro humano aprende. No caso da pesquisa realizada na UFSCar, o uso da ferramenta deve permitir automatizar e acelerar a identificação de microplásticos em amostras de solo, a partir do doutorado-sanduíche da estudante no centro alemão.
